Autolesão Não Suicida e Rito de Passagem
DOI:
https://doi.org/10.70435/junguiana.v44.294Palavras-chave:
autolesão não suicida, automutilação, rito de passagem, rito de iniciação, psicologia analíticaResumo
O presente artigo propõe uma reflexão sobre as relações entre a prática da autolesão não suicida (ALNS) e os ritos de passagem. Propõe que os cortes na pele se manifestam enquanto tentativas inconscientes de auto iniciação. Partindo do período de transição para a vida adulta — fase liminar em que o ego busca heroicamente separar-se do mundo infantil e das forças do inconsciente —, observa-se que, na ausência de ritos sociais, esses gestos surgem como tentativas falhas: buscam reproduzir a estrutura do rito de passagem (separação, liminaridade e agregação), mas degeneram em compulsão estéril. As cicatrizes tornam-se marcas de um processo inacabado, no qual a transformação psíquica não se completa. Ao dessacralizar a vida e prolongar artificialmente a infância, a sociedade atual intensifica esse sofrimento. Conclui-se destacando a necessidade de abordagens clínicas que reconheçam na ALNS não apenas uma patologia como também uma tentativa frustrada de ritualização, apontando para a urgência de novos marcos simbólicos coletivos.
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