Hades e Perséfone: A elaboração simbólica da separação amorosa a partir da Psicologia Analítica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.70435/junguiana.v44.302

Palavras-chave:

relacionamento, psicologia analítica, psicoterapia analítica, mitologia grega

Resumo

Este artigo é fundamentado na Psicologia Analítica, que utiliza o mito grego de Hades e de Perséfone como eixo interpretativo para refletir sobre o término de relacionamentos amorosos. Considera-se que os mitos constituem expressões arquetípicas do inconsciente coletivo, capazes de oferecer caminhos simbólicos para a elaboração de experiências de perda, de luto e de transformação. Por meio da revisão de literatura e do método comparativo, articulam-se elementos narrativos do rapto, da descida ao submundo e do retorno à superfície com dinâmicas emocionais presentes na ruptura afetiva, compreendendo-a como morte simbólica e como oportunidade de renascimento psíquico. A análise destaca aspectos relacionados à individuação, às projeções e à integração da sombra, indicando que a leitura simbólica do mito favorece a ressignificação da dor e o amadurecimento emocional. A trajetória de Perséfone, que retorna do submundo transformada em rainha, é tomada como metáfora do reencontro com o Self após o rompimento, apontando o término amoroso como rito de passagem arquetípico.

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Biografia do Autor

Maria Elayne da Silva Cipriano, Universidade Santo Amaro – UNISA. São Paulo – SP, Brasil

Pesquisadora independente. São Paulo, São Paulo, Brasil. Psicóloga clínica (Universidade Santo Amaro – UNISA. São Paulo – SP, Brasil).

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Publicado

04-03-2026

Como Citar

Cipriano, M. E. da S. (2026). Hades e Perséfone: A elaboração simbólica da separação amorosa a partir da Psicologia Analítica. Junguiana, 44, 1–10. https://doi.org/10.70435/junguiana.v44.302

Edição

Seção

Artigos