Música: uma possível ampliação de recursos no setting analítico

Autores

  • Julio César Nunes Ito

Palavras-chave:

Música, psicologia analítica, inconsciente, imagem, Jung

Resumo

Num movimento de resgate do valor terapêutico da música, este artigo procura ampliar as possibilidades de recursos a serem trabalhados no setting clínico junguiano. Através de uma revisão de literatura da psicologia analítica, percebeu-se uma carência de material relacionado à música como um recurso terapêutico. A partir deste ponto, são apresentadas algumas reflexões de como a música e o inconsciente podem se relacionar pela perspectiva da psicologia analítica. A experiência pessoal de C. G. Jung com a música, as relações entre música e imaginação ativa, música e neurociências, assim como algumas implicações da utilização desta arte no setting analítico são discutidas neste trabalho. Inserindo a música na clínica junguiana, ela apresentou-se propícia a: estimular a função transcendente, favorecendo a evocação de imagens da psique; rebaixar as defesas egoicas; complementar o trabalho como uma linguagem não verbal e a induzir ao relaxamento, auxiliando a passagem para um estado alterado de consciência, enriquecendo assim o trabalho terapêutico com material simbólico-musical.

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Biografia do Autor

Julio César Nunes Ito

Psicólogo, psicoterapeuta de orientação junguiana. Graduado em Psicologia pelo Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU).

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Publicado

02-02-2018

Como Citar

Ito, J. C. N. (2018). Música: uma possível ampliação de recursos no setting analítico. Junguiana, 36(1), 9–18. Recuperado de https://junguiana.sbpa.org.br/revista/article/view/241

Edição

Seção

Artigos