#automutilação: a expressão simbólica da autolesão não suicida

Autores

  • Felipe Moreira Borges Nascimento Fabbrini Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
  • Ivelise Fortim Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Palavras-chave:

Autolesão, automutilação, ALNS, redes sociais, psicologia analítica

Resumo

A autolesão não suicida (ALNS) é um fenômeno de relevância crescente com altas taxas de prevalência em adolescentes e jovens adultos. Como método, foi realizada etnografia virtual em comunidade de autolesão no Facebook de modo a ampliar a compreensão dos aspectos simbólicos relacionados à prática. Em fevereiro de 2021, 133 publicações foram coletadas e divididas em três categorias de análise: autolesão, sofrimento e religião. A autolesão é compreendida como similar ao comportamento compulsivo por meio do qual praticantes buscam uma experiência de transcendência ainda que às custas de dor. Assemelha-se a uma dependência comportamental. O sofrimento descrito aponta processos depressivos e se caracteriza por solidão, dificuldade de expressão de sentimentos e necessidade de manutenção de uma persona funcional no cotidiano. Assim, a comunidade emerge como meio de expressão dos aspectos relegados à sombra no mundo offline.

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Biografia do Autor

Felipe Moreira Borges Nascimento Fabbrini, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Psicólogo Clínico pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Aprimorando da Clínica Ana Maria Poppovic.

Ivelise Fortim, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Doutora em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Professora do curso de Psicologia da PUC-SP.

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Publicado

05-07-2022

Como Citar

Fabbrini, F. M. B. N., & Fortim, I. (2022). #automutilação: a expressão simbólica da autolesão não suicida. Junguiana, 40(3), 171–186. Recuperado de https://junguiana.sbpa.org.br/revista/article/view/217

Edição

Seção

Artigos